Compulsão Sexual: quando o desejo vira prisão
- Lourdes Rosa
- 13 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A sexualidade faz parte da nossa saúde integral. Ter desejo, buscar prazer e explorar o próprio corpo são atitudes saudáveis e humanas. Mas quando esse desejo ultrapassa os limites do controle e começa a afetar a rotina, as relações e o bem-estar emocional, é hora de acender o sinal de alerta. Estamos falando da compulsão sexual, um transtorno ainda pouco discutido, cercado de estigmas e mal-entendidos, especialmente entre os homens.
O que é compulsão sexual?
A compulsão sexual, também chamada de transtorno hipersexual, é caracterizada por um padrão persistente de comportamentos sexuais excessivos, impulsivos e, muitas vezes, fora de controle. Pessoas com esse transtorno podem passar horas consumindo conteúdo erótico, se envolver em múltiplas relações ou masturbações diárias, mesmo que isso traga prejuízos no trabalho, nos estudos ou nas relações afetivas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2018, a compulsão sexual foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um transtorno do controle de impulsos. Ou seja, não é "falta de vergonha" ou "safadeza", como muitos acreditam, mas uma condição real, que merece atenção, acolhimento e tratamento adequado.
Por que acontece?
As causas da compulsão sexual são multifatoriais. Estão relacionadas a questões neurobiológicas (com alterações nos circuitos cerebrais de recompensa), traumas emocionais, histórico de abuso, depressão, ansiedade e até consumo abusivo de pornografia. Em homens, especialmente, a cobrança por um desempenho sexual constante e a cultura do "macho alfa" podem silenciar o sofrimento e retardar o diagnóstico.
Estudos indicam que entre 3% a 6% da população adulta pode apresentar comportamentos compatíveis com a compulsão sexual, sendo a maioria do sexo masculino. Mas esses números podem ser subestimados, justamente pelo tabu que cerca o tema.
Quais os sinais mais comuns?
Sentir que "precisa" de sexo o tempo todo, mesmo sem prazer genuíno;
Uso frequente da sexualidade como fuga emocional (ansiedade, raiva, tédio);
Dificuldade em controlar impulsos, mesmo após consequências negativas;
Culpa, vergonha ou arrependimento após os episódios;
Isolamento social e queda de rendimento profissional ou acadêmico.
Tem tratamento?
Sim! O tratamento é feito com acompanhamento multidisciplinar, que pode incluir psicoterapia especializada, uso de medicamentos, grupos de apoio e, quando necessário, mudança de hábitos e estilo de vida. É fundamental lembrar que o objetivo do tratamento não é reprimir a sexualidade, mas recuperar o controle sobre ela — resgatando uma relação saudável e prazerosa com o próprio corpo.
Procurar uma sexóloga é um excelente primeiro passo para começar esse processo com acolhimento, informação e zero julgamento.


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